MÍDIAS E TECNOLOGIAS EM EDUCAÇÃO

MIDIAS E TECNOLOGIAS A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

BLOG, AMOR E EDUCAÇÃO EM CONEXÃO


BLOG - Amar é ser 'pássaro de fogo'
PREMISSAS – Esse texto tem a irreverência em combinar as três perspectivas, aparentemente dissonantes, entre o blog, a educação e o 'amor em rede.' O pressuposto a ser trabalhado é de que blogar, educar e amar tem o mesmo sentido. Para quem não conhece o poliamor e a suas dimensões, pode se sentir sem chão ao que pode ser desvelado aqui, ele é um  modo original e originante utopia,  sempre buscado de se amar; para quem entende que o propósito da educação vive em outro mundo, e que assim não está sendo atualizado e não sabe dialogar com os novos sujeitos desse mundo de tecnologias e mídia;  e quem não descobriu ainda a relevância e significado de se tecer textos, pelo fato de estar acorrentado no texto dos outros e de outros com+textos, em um mundo virtual que é um dilúvio de textos sempre novos e online, será bem vindo a esse texto amoroso e deseducador. Amar e educar ou blogar é navegar e aprender a arte da navegação em mundos que precisam ser desvelados, tecidos, costurados e conectados. Utilizarei a linguagem NAVEGAR como sendo a palavra chave que faz o ELO. Navegar e preciso, nadar é necessário no amar poli, no educar humanizado e no blogar redes de saberes construídos coletivamente em um mundo que metamorseia.
DOS GREGOS - O sentido de aprender a navegar, os gregos, em seus mares, viveram em suas três dimensões: do amor conexão, sem fronteiras patriarcais onde se combina o poder jovializador, renovador e sedutor do eterno EROS, da estética e da beleza de AFRODITE que encanta e reluz o ser mulher indomável e senhora de si sempre, de DIONÍSIO que descobriu no prazer e na paixão estão inscritos em nosso ser e nele se manifesta o divino e por fim ATENAS que é a musa que nos ensina que todo amor tem sentido quando nos torna hábeis na astúcia, na sabedoria, na justiça e na prudência dos amantes; do educar polis (de política das  relações) que Sócrates fez em Platão na ágora e nas ruas de Atenas, que Platão fez em sua academia e que Aristóteles em seus discípulos peripatéticos; e do blogar cósmico de Alexandre, o grande, discípulo de Aristóteles que na ânsia de expansão de seu império, levou o tecido e a tessitura da TEORIA GREGA, inicialmente no mundo helênico e depois ao ser conquistado politicamente por pelos romanos nele incorpora a ALMA GREGA através do modo de conceber a vida, o amor, a política e a educação. Isso se aplica ao ato de educar a partir das tecnologias e mídias, do amar em um mundo vivendo da dubiedade do amor monogâmico e do educar conteudista e sem vida.
ARTE DA NAVEGAÇÃO - É possível se navegar na internet? Como se deve navegar na internet? Fazer como isso acontecer? Só pode ensinar quem se iniciou nessa arte e conhece as profundezas dos mares dessa navegação ou ta nesse oceano.  O paradigma da navegação foi descoberto pelos gregos. Para entender a navegação visualize a Grécia do século VII ao século III a.C. O povo grego, geograficamente vivia rodeado de águas, viviam em ilhas que os tornavam mais próximos de outras nações que de seus compatriotas, sendo assim viviam do mar e no mar. Eles viviam da navegação e em navegação todo o tempo. Para eles conhecer a arte da navegação era decisivo.  Dessa experiência e necessidade eles descobriram e inventaram a arte de toda navegação: filosofia. É o paradigma a partir do qual todo o mundo se espelha. Será que eles inventaram a arte de toda navegação ao criar a filosofia? Para os gregos navegar, educar, amar e filosofar simbolicamente falando tinham o mesmo significado.
EDUCAR E NAVEGAR - O grego concebia e imaginava o homem e a mulher, como um barquinho no meio do mar, hora em um rumo certo, e em outros momentos, à deriva. A educação é entendida como uma escola da aprendizagem da arte da navegação. Seria feliz quem tinha a sabedoria do navegar e remar nos mares revoltos. Pode-se dizer que toda educação, seja ela FORMA ou INFORMAL, consiste em apreender e ensinar e aprender com as pessoas a arte da navegação. Ao mesmo tempo se ensina a aprender e aprender a ensinar a nadar em todos os mares e rios. Aprende-se a navegar e nadar sem naufragar, quando se aprende a nadar em nossa racionalidade, que é id, ego e superego, por isso essa racionalidade compreende o pensar, o desejar e a vontade de querer ser cada dia mais sensível e humano. Aprender a nadar e a navegar, aprender a ser racional, sensível e desejoso. 

BLOG E EDUCAÇÃO=Ser pra Você - Nessa navegação para saber o que seria um BLOG encontrei uma definição na NET, curiosa e sugestiva, que aqui transcrevo: [...] Will Richardson, um dos mais acérrimos defensores dos blogs na educação, diz que blog ar: “é escrever o que pensamos quando lemos o que os outros escrevem. Se continuarmos, outras pessoas eventualmente escreverão o que pensam quando nos lêem, e assim entraremos numa nova esfera de relações humanas. Será que esta revolução pacífica se vai dar entre professor e aluno? Assim espero!" [...}. A idéia do BLOG é tornar-se ferramenta que ANIMA, educa e desenvolva a coragem que supera os medos e as pseudo seguranças perante o mundo, que nos amedronta e assusta; educar é tecer discursos online em meio às incertezas, no dilúvio das informações e assim sejam superados os medos do navegar e do nadar nos amores. Medo é sempre uma atitude primitiva e irracional do novo, da mudança e da ruptura. Temos que ir além do primitivismo e da irracionalidade. Exercício bom é esse de escrever. Educar é dialogar, desnudar-se, perder o medo do novo. É remar em mares desconhecidos. Escrever é desnudar-se diante de si dos outros e do mundo. É dizer o que pensamos e o que nos fez decidir por esse ou aquele cominho. Escrever é dialogo.  É dirigir-se, sem ver mais ao mesmo tempo, vendo o presente e o ausente e em frente imaginativamente. 
BLOGAR, A PAIXAO EM EDUCAR - Essa fala é um bom insight e ela nos leva a pensar. Como os gregos, indo ao encontro de outras culturas, através desse espaço virtual se BLOGAR: comunicar, relacionar, educar. Viver é navegar, BLOGAR e relacionar-se. Muita gente busca isso hoje no MSN, ORKUT, e salas de bate papo.  BLOG é ao mesmo tempo uma navegação ao encontro de outro, como um processo de comunicação; é um diálogo com as pessoas que estão no mundo virtual, para uma relação virtual-real.  Acredita-se que é esse o sentido de um BLOG para os professores que trabalham no processo de educar. Eles devem se perguntar continuamente porque as pessoas prefeririam ficar horas e horas na frente de um computador e não mais se sentem bem em suas aulas? Por que se admira mais uma XUXA, um LUAN SANTANA mais que o professor que ta ali frente a ele? Que tipo de relações eles projetam com esses ídolos e o que essas relações tem e se são de fato humanas, educativas? 


A REDE MUNDIAL:MEU EU EM VOCÊ - Fiquei pensando... Que imagem se desenha no espaço virtual da rede de computadores, em cada BLOG escrito e em cada conexão virtual e com os possíveis e imagináveis leitores e interlocutores no espaço fractal? Palavras, idéias, pensamentos teci, de tecer e fazer rede, no espaço virtual. Onde será que está tudo isso? Basta alguém acessa a um computador em um cyber, em casa, em uma Instituição de ensino ou no local de trabalho e ter acesso a toda essa nova biblioteca, videoteca, fotografia+teca, torpedo+teca, mensagem+teça, ebooks,  que a rede mundial virtual oferece e acessar? Onde será que essas palavras, idéias, pensamentos e imagens estão? Elas estão no fundo mar da virtualidade do mundo dessa nova modalidade de se relacionar? Educa, e ‘ama poli’ quem está tecendo da sala da aula ás salas da internet. Navegar é preciso, nadar é necessário! Tecer é uma responsabilidade.

ESTUDAR E VIVER NO MÓVELversus FIXO- A propaganda é uma insinuação, para além do que ela quer vender, de que a vidahoje nao pode mais ser norteda por um estilo de vida 'com as velhas opiniões formadas sobre tudo', mais q deve ser guiadas por um estado de 'metamorfose ambulante.' É interessante pensar que aprender a estudar é aprender a arte do navegar no mundo do texto. Só navega quem é móvel. A mobilidade do mouse está já sendo superada pelo digital. Nele tem uma realidade dita e de outra maneira que curiosamente precisamos imaginar para poder decifrá-la... Em alguns momentos da navegação temos que mergulhar para não naufragar. Quem navega encontra águas, rios, mares e oceanos ora calmos, ora tempestuosos. Textos e textos estão aí no mar das informações. Quem não souber navegar e nadar no Google, Wikipédia e youtube podem ficar ofuscados e tontos. Pode-se usar a imagem de que quem navega pode tanto amar como morre de medo de nadar. Navegar é preciso aprender a nadar é necessário. A vida no mundo é uma navegação e um nadar eternos? Nadar é mergulhar sem se deixar naufragar ou afogar. Não deveria ser a vida em sociedade: não se deixar afogar nas águas da corrupção, não estufar o peito e dizer que odeia política, parafraseando Bertold Brecht, não afundar na lama do individualismo solitário e consumista, não naufragar no rio da educação e do professor COCA-COLA e fluído. 
APRENDIZES DO AMOR CONEXÃO – Ser aluno e ser professor nesse mundo que emerge é superar todas as distâncias de afeto, de curiosidade. Educar ou amar é tecer rede que faz tecido-texto, seja com os que estão presentes-presentes no mesmo espaço das salas [de toda natureza] na imaginação real-virtual. Nas duas dimensões se está fazendo parte da mesma tessitura: comunicação. Pode-se dizer que quando se faz conexão hoje em dia, é a mesma coisa que está presente, online ao mesmo tempo em todos os lugares acessíveis e ou off-line, em lugar nenhum com os que estão desconectados, aquém-além e como todos os internautas e navegantes desse mundo.  Pensar que modelo de professor decorreria dessa concepção de educação foi o que me ocorreu a partir de um e-mail que eu recebi, sem assinatura, com o texto intitulado “NÃO SEJA PROFESSOR COCA-COLA”. Transcrevo literalmente algumas idéias que diz muito para essa reflexão. “Professores Coca-Cola, inegavelmente admiráveis pelo seu saber, disputadíssimos pelas instituições, comentado pelos alunos, ansiosos por experimentar desse saber, reconhecido em qualquer lugar só pelo nome e suas atitudes, entretanto com uma fórmula secreta. Essa postura faz cairmos, inegavelmente na metáfora principal desse artigo, pois o refrigerante já citado aqui tantas vezes possui características semelhantes a esse profissional - Conhecido, invejável, apreciado, disputado, comentado e detentor de uma fórmula secreta. (...) Entretanto, o profissional do qual fala esse artigo não permite que o aluno saboreie o banquete das suas aulas e de toda a sua bagagem cultural e intelectual porque em todos os encontros acaba por guardar a sete chaves seus conhecimentos.”
 AMAR ECOPOLIS – Não se visualiza o amor poli nas ruas e nas praças. O que se observa é o amor sacrifício, ciumento, possessivo e inseguro. Não encanta apaixona e seduz quem não está ao mesmo tempo para além das formas patológicas de amar de nosso mundo. Amar e educar tem tudo a ver. Repete-se insanamente o mesmo modo de fazer educação repetida desde o tempo de meus ancestrais assim também pode ser no modo de amar. Só encanta quem está encantado. Só pode ser objeto de desejo quem é sujeito de seus desejos.  Acredita-se que ainda se pode encantar e apaixonar aos alunos em nosso tempo, como os professores faziam nos anos passados. A relação educativa é uma relação de sedução e atração na perspectiva do conhecimento. Uma alternativa se acena. A atração e o encanto que os jovens sentem pelas tecnologias e mídias tais como, CAM, CÂMERA DIGITAL, CELULAR E INTERNET, nos apontam para uma luzinha no fim do túnel das aulas enfadonhas, conteudista, de giz e cuspe e cópias nos quadros... Como deve se dar a navegação para todos nós? Será que o que se busca hoje é partilhar a arte da navegação no mundo virtual? O que você pensa e imagina em cada BLOG lido? Que necessidades e desejos temos em relação ao nosso agir educativo? Estamos saciados e satisfeitos com o que fazemos?

terça-feira, 17 de maio de 2011

FILOSOFIA E TECNOLOGIAS


FILME: PRIMO BASÍLIO




Observação preliminar: O filme foi tralhado pela professora Paula com as turmas do 2ºMBs do Colégio José Nézio Ramos, entre os dias 17 e 20 de maio, em um contexto onde se estudava realismo e romantismo no Brasil.

Sinopse: São Paulo, 1958. Luísa (Débora Falabella) é uma jovem romântica e sonhadora que é casada com Jorge (Reynaldo Gianecchini), um engenheiro que está envolvido na construção de Brasília. Um dia Luísa reencontra Basílio (Fábio Assunção), seu primo e também sua paixão de juventude. Quando Jorge é chamado a trabalho para Brasília, Luísa fica em casa apenas com a companhia das empregadas Juliana (Glória Pires) e Joana (Zezeh Barbosa). Basílio passa a visitá-la frequentemente, conquistando-a com as histórias de suas viagens. Logo as saídas de ambos viram fofoca na vizinhança. Até que Juliana encontra as cartas de amor trocadas entre os primos e, de posse delas, passa a chantagear Luísa para conseguir uma generosa aposentadoria.


WIKIPÉDIA - PRIMO BASÍLIO -http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Primo_Bas%C3%ADlio

O Primo Basílio é um romance de Eça de Queirós. Publicado em 1878, constitui uma análise da família burguesa urbana no século XIX [1].
O autor, que já criticara a província em O Crime do Padre Amaro, volta-se agora para a cidade, a fim de sondar e analisar as mesmas mazelas, desta vez na capital: para tanto, enfoca um lar burguês aparentemente feliz e perfeito, mas com bases falsas e igualmente podres. A criação dessas personagens denuncia e acentua o compromisso de O Primo Basílio com o seu tempo: a obra deve funcionar como arma de combate social. A burguesia - principal consumidora dos romances nessa época - deveria ver-se no romance e nele encontrar seus defeitos analisados objetivamente, para, assim, poder alterar seu comportamento.
As personagens de O Primo Basílio podem ser consideradas o protótipo da futilidade, da ociosidade daquela sociedade.
Personagens
  • Luísa: Representa a jovem romântica, inconsequente nas suas atitudes, a adúltera e, no final,feliz e junto ao Basílio.
  • Jorge: Marido dedicado de Luísa, engenheiro de minas, homem prático e simples, que contrasta com a personalidade mundana e sedutora de Basílio.
  • Basílio: Dândi, conquistador e irresponsável, "bon vivant" pedante e cínico. Como todo dândi, Basílio procurava imitar um estilo de vida aristocrático, decadente.Tinha uma preocupação latente em estar bem vestido e arrumado.
  • Juliana: Personagem mais completa e acabada da obra, tem sido vista como o símbolo da amargura e do tédio em relação à profissão. Feia, virgem, solteirona, bastarda, é inconformada com sua situação e por isso odeia a tudo e a todos, principalmente seus patrões, não detendo então qualquer sentimento de fundo moral.
  • Sebastião: Personagem simpático que permanece fiel a Jorge e ao mesmo tempo ajuda Luísa. Sebastião é o único que não apresenta nenhuma crítica à socialidade lisboeta.
  • Julião: Parente distante de Jorge e amigo íntimo da casa, Julião Zuarte,assim como Juliana, representa o descontentamento e o tédio com a profissão. Estudava desesperadamente medicina, na esperança de conseguir uma clientela rica. Andando sempre sujo e desarrumado, Julião era invejoso e azedo.
  • Visconde Reinaldo: Amigo de Basílio, era, como este, um dândi. Desprezava Portugal. Reinaldo representa o pensamento aristocrático, o desprezo pelos valores burgueses, como a família e a virtude.
  • Dona Felicidade: Amiga de Luísa, cinquentona. Apaixonada perdidamente pelo Conselheiro Acácio. Simbolizava, nas palavras do próprio Eça: "a beatice parva de temperamento excitado".
  • Conselheiro Acácio: Antigo amigo do pai de Jorge, Acácio é o arquétipo do sujeito que só diz obviedades. Pudico, formal em qualquer atitude, rejeita friamente as investidas de Dona Felicidade. Diz a todos que "as neves da fronte acabam por cair no coração". No entanto, vive um romance secreto com sua criada.
  • Senhor Paula: Vizinho de Jorge. Junto com a carvoeira e a estanqueira, passa o dia bisbilhotando quem entra e quem sai da casa do "engenheiro". O surgimento de Basílio acaba virando um espetáculo para eles.
  • Leopoldina: Amiga de Luísa, casada e adúltera. Sempre em busca de novos prazeres e assim amantes, tem uma má reputação, e é uma possível influência para o comportamento de Luísa
O Primo Basílio (1878)Luísa: Representa a jovem romântica, inconsequente nas suas atitudes, a adúltera e, no final,feliz e junto ao Basílio.
Jorge: Marido dedicado de Luísa, engenheiro de minas, homem prático e simples, que contrasta com a personalidade mundana e sedutora de Basílio.
Basílio: Dândi, conquistador e irresponsável, "bon vivant" pedante e cínico. Como todo dândi, Basílio procurava imitar um estilo de vida aristocrático, decadente.Tinha uma preocupação latente em estar bem vestido e arrumado.
Juliana: Personagem mais completa e acabada da obra, tem sido vista como o símbolo da amargura e do tédio em relação à profissão. Feia, virgem, solteirona, bastarda, é inconformada com sua situação e por isso odeia a tudo e a todos, principalmente seus patrões, não detendo então qualquer sentimento de fundo moral.
Sebastião: Personagem simpático que permanece fiel a Jorge e ao mesmo tempo ajuda Luísa. Sebastião é o único que não apresenta nenhuma crítica à socialidade lisboeta.
Julião: Parente distante de Jorge e amigo íntimo da casa, Julião Zuarte,assim como Juliana, representa o descontentamento e o tédio com a profissão. Estudava desesperadamente medicina, na esperança de conseguir uma clientela rica. Andando sempre sujo e desarrumado, Julião era invejoso e azedo.
Visconde Reinaldo: Amigo de Basílio, era, como este, um dândi. Desprezava Portugal. Reinaldo representa o pensamento aristocrático, o desprezo pelos valores burgueses, como a família e a virtude.
Dona Felicidade: Amiga de Luísa, cinquentona. Apaixonada perdidamente pelo Conselheiro Acácio. Simbolizava, nas palavras do próprio Eça: "a beatice parva de temperamento excitado".
Conselheiro Acácio: Antigo amigo do pai de Jorge, Acácio é o arquétipo do sujeito que só diz obviedades. Pudico, formal em qualquer atitude, rejeita friamente as investidas de Dona Felicidade. Diz a todos que "as neves da fronte acabam por cair no coração". No entanto, vive um romance secreto com sua criada.
Senhor Paula: Vizinho de Jorge. Junto com a carvoeira e a estanqueira, passa o dia bisbilhotando quem entra e quem sai da casa do "engenheiro". O surgimento de Basílio acaba virando um espetáculo para eles.
Leopoldina: Amiga de Luísa, casada e adúltera. Sempre em busca de novos prazeres e assim amantes, tem uma má reputação, e é uma possível influência para o comportamento de Luísa [2].

Enredo
Jorge, bem-sucedido engenheiro e funcionário de um ministério e Luísa, moça romântica e sonhadora, protagonizam o típico casal burguês da classe média da sociedade lisboeta do século XIX. Casados e felizes, falta apenas um filho para completar a alegria do "lar do engenheiro", como era chamada a residência do casal pela vizinhança pobre.
Existe um grupo de amigos que frequenta o lar de Jorge e Luísa: D. Felicidade, a beata que sofre de crises gasosas e morre de amores pelo Conselheiro; Sebastião, amigo íntimo de Jorge; Conselheiro Acácio, o bem letrado; Ernestinho e as empregadas Joana – assanhada e namoradeira – e Juliana – revoltada, invejosa, despeitada e amarga, responsável pelo conflito do romance.
Ao mesmo tempo que cultiva uma união formal e feliz com Jorge, Luísa ainda mantém amizade com uma antiga colega, Leopoldina – chamada a "Pão-e-Queijo" por suas contínuas traições e adultérios. A felicidade e a segurança de Luísa passam a ser ameaçadas quando Jorge tende a viajar a trabalho para o Alentejo.
Após a partida de seu esposo, Luísa fica enfadada sem ter o que fazer, no marasmo e em melancolia pela ausência do marido e exactamente nesse meio-tempo, Basílio chega do exterior. Conquistador e "bon vivant", o primo não leva muito tempo para conquistar o amor de Luísa (eles tinham namorado antes de Luísa conhecer Jorge). Luísa era uma pessoa com uma forte visão romântica da vida, lia apenas romances, e Basilio apresentou-se como a chave para seus sonhos: era rico, morava na França. O amor inicial transformou-se em ardente paixão e isso faz com que Luísa pratique adultério. Entrementes, Juliana espera apenas uma oportunidade para apanhar a patroa "em flagrante".
Os encontros entre os dois sucedem-se a par da troca de cartas de amor, uma das quais é interceptada por Juliana – graças aos conselhos "sábios" de tia Vitória –, que começa a chantagear a patroa. Transformada de senhora mimada em escrava, Luísa começa a adoecer. De frágil constituição, os maus tratos que sofre de Juliana tiram-lhe rapidamente o ânimo, minando-lhe a saúde.
Jorge volta e de nada desconfia, pois Luísa satisfaz todos os caprichos da criada, enquanto tenta todas as soluções possíveis, até que encontra a ajuda desinteressada e pronta de Sebastião, o qual, armando uma cilada a Juliana, tentando levá-la presa, acaba por provocar-lhe a morte. É um novo tempo para Luísa, cercada do carinho de Jorge, Joana e da nova empregada. Porém, já é tarde demais: enfraquecida pela vida que tivera de suportar sob a tirania de Juliana, Luísa é acometida por uma violenta febre. Acamada pelas altas febres, Luísa não nota que Basílio lhe responde a uma carta escrita havia meses, e quando o carteiro entrega a carta na sua residência, chama a atenção de Jorge por estar endereçada a Luísa e ser remetida de França, motivo pelo qual ele a abre e descobre o adultério da esposa nas palavras amorosas e cheias de saudade de Basílio. A evidência da traição fá-lo entrar em desespero mas, no entanto, perdoa-lhe a traição pelo forte amor que lhe tem e pelo seu frágil estado de saúde. De nada adiantam os carinhos e cuidados do marido e dos amigos, nem o zelo médico - que chegou a raspar-lhe os longos cabelos - de que foi cercada.
Luísa morre e o "lar formalmente feliz" desfaz-se. O romance termina com a volta de Basílio - o qual fugira, deixando-a sem apoio - e seu cinismo, ao saber da morte da amante: comenta com um amigo que "antes tivesse trazido a Alphonsine". Esta parte encerra o livro explicitando o mau caráter de Basílio. Enquanto caminhavam pela rua, o seu amigo Visconde Reinaldo, censurava Basílio por ter tido um romance com uma "burguesa", sem distinção. Não era, como ele mesmo dizia, uma amante chique, pelo contrário "não possuía relações decentes", "casara com um reles indivíduo de secretaria" e "vivia numa casinhola". Achava a relação absurda, no final das contas. E arrisca dizer que Basílio fizera o que fizera, por "higiene". Ao responder "Que ferro! Podia ter trazido a Alphonsine", Basílio confirma a suspeita do amigo. Luísa fora usada, então. Não houve qualquer sentimento. Luísa morrera, portanto, sem nunca ter sido amada por Basílio [3].

Tempo
O tempo da narrativa é cronológico e a narrativa linear, ocorrendo no período entre o namoro de Luísa, a morte da mãe, o abandono pelo namorado, estendendo-se pelos três anos de seu casamento com Jorge, até a viagem e volta desse. A acção passa-se no final do século L.

Foco narrativo
Apresenta um narrador onisciente, que não consegue distanciar-se por completo de suas personagens, o que se caracteriza pela sua omnisciência e pelo emprego do enredo da obra. Descreve detalhes mínimos de objetos ou vestuário, colocando o leitor dentro da cena de maneira realista.

Espaço
Lisboa é o cenário da crítica de Eça de Queirós; é o espaço da sociedade lisboeta por onde transitam as personagens e onde elas expõem suas condições sócio-económicas e históricas. O Alentejo é o espaço que rouba Jorge de Luísa, deixando-a num marasmo sem fim. Paris é o cenário que devolve Basílio à Luísa, trazendo alegria e a novidade de uma vida de prazeres e aventuras.
Lisboa é por onde transitam as personagens e onde elas expõem suas condições sócio-económicas e históricas, é a sociedade portuguesa. Dentro desta cidade, a casa de Luísa e de Jorge e o Paraíso (local onde ocorrem os encontros românticos de Luísa e Basílio, um "refúgio") são os que ganham maior destaque.

Conclusão
Diante do cenário histórico, descrito no início dessa análise, Eça de Queirós publica, em 1878, O Primo Basílio. O livro inova a criação literária da época, oferecendo uma crítica demolidora e sarcástica dos costumes da pequena burguesia de Lisboa. Eça de Queirós ataca uma das instituições consideradas mais sólidas: o casamento. Com personagens despidos de virtude, situações dramáticas geradas a partir de sentimentos fúteis e mesquinharias, casos amorosos com motivações vulgares e medíocres – tudo isso, ao mesmo tempo em que tece críticas, desperta o interesse da sociedade de Lisboa. Eça de Queirós explora o erotismo quando detalha a relação entre os amantes. Inova também ao incluir diálogos sobre a homossexualidade. O autor, que já mostrara sua opção por uma literatura ácida e nada sentimental em O Crime do Padre Amaro, cria personagens fisicamente decadentes – cheios de doenças e catarros – e de comportamento sexual promíscuo.
REFLEXÃO E MENSAGEM: O filme coloca em debate a questao do matrimônio e da relação homem e mulher dentro da obra que está entre o realismo e o romantismo.Deixe aqui a sua mensagem e comentário...